sábado, 16 de julho de 2011

Pesadelo de paranóia

Há falhas na parede que eu busco sem parar;
Tateio-a atrás de brechas, relevos ou aberturas
Que a ilusão de ótica me permite ver de canto de olho,
Mas esconde quando viro a cabeça para olhar...

No canto do quarto, alguém me observa das sombras.
Rí de minha incapacidade de desmascará-lo.
Quando ascendo a luz e procuro vê-lo, olho,
Mas lá está um espaço vazio para me confrontar.

Cada som parece ser de passos a meio metro de mim.
Não sou louco por verificar o armário a cada 5 ou 6 min.
É só minha maneira de continuar são e atento as
Forças invisíveis que atentam contra meu bem-estar.

Algo se move logo atrás de mim,
Mas é apenas a minha sombra...
Percebo que alguém revirou meus bolsos
E logo lembro que fui eu a procura das chaves...

Minha casa-base tem olhos pra me vigiar e quer me
Destruir, eu sei disso: Ela me sussurra a toda hora!
E quando durmo lá está a prova dessa conspiração:
Em meus sonhos há sempre alguém me perseguindo!

Inspirado durante uma madrugada paranóica.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Navio e âncora

Agitação em meio ao nevoeiro, e o púdrito odor de peixe no ar.
O sinal é dado e a pesada embarcação deixa o porto empoeirado.
Bêbados e pedintes serão os únicos a vê-lo partir,
Deixando para trás o mundo e aqueles que nele vivem,
Desbravando mares, dando voltas nos mundos,
Causando interesse e espanto em quem o vê de longe.

Partirão para assombrosas aventuras,
Dos contos de além-mar? Com certeza!
Enfrentarão tormentas e a fúria dos seres
Que habitam a profundeza da vida? Sim!
Mas seus nomes jamais serão lembrados
E suas canções só chegarão as gaivotas e sereias.

Uma vida de loucura e algumas garrafas de rum,
Meu mundo por um ancoradouro que seja seguro;
A tempestade me jogo esta noite, desejando ter
Alguém para quem voltar, mas nada há...
A solidão torna o vento do mar mais frio,
E inspira mitos nas almas atormentadas.

E antes que o ano termine... Tesouros!
Belas praias perdidas, intocadas pelo homem...
Vivemos as histórias contadas e não dividimos o segredo;
A não ser que me pague mais uma caneca;
Enquanto o navio não zarpar, e ao som de acordeão,
Tudo parece possível para quem sonha.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Taverna das Brumas do Bosque

Uma colina e uma porção de troncos,
Pra quem logo olha, escondem assim
Um recanto para aqueles que não mais
Na vida dos homens se encontram;

O pequeno guardião mostra o caminho,
Ilumina-o com sua lanterna de fada,
E aponta a porta da jamais lembrada, da
Taverna das Brumas do Bosque;

A porta range e chama a atenção
De pequenos duendes e ogros ranzinzas,
Enquanto os anões acabam com avidez
Com toda cerveja de suas canecas;

Fadas dançam ao som das cordas
Dos bardos de cascos e orelhas pontudas;
E toda magia te envolve aos poucos, na
Taverna das Brumas do Bosque;

Gnomos, trolls e sereias, num misto
De sonho e realidade, medo e alegria;
Dragões, tengus e gigantes, te mostrando
As portas para um mundo mágico;

E ao som de risos e canções de outrora,
O rei elfo adentra a pintura viva dali,
Oferecendo a todos um brinde saudando a
Taverna das Brumas do Bosque.

domingo, 3 de julho de 2011

Sangue de Lobo

Pudera eu partilhar da vida nas estepes
Ou nas montanhas e vale gelados
Onde voam os cisnes e correm os lobos
Onde a alma voa alto para tocar a face dos deuses...

Se em tempos misericordiosos fomos tão fortes
Porque em tempos de lei as correntes pesam tanto?
E nosso próprio coração não mais sentimos pulsar
Presos na inércia daquilo que de nos é esperado...

Mas o que fazer então? Quando um mundo te chama
E o outro te aprisiona? Quando o chão queima
Mas suas asas foram cortadas...

Talvez manter as esperanças acabe por machucar ainda mais

Mas nos somos esse fogo, não podemos fazer mais que esperar

Temos sangue de lobo; Espadas nas mãos;
Vigiamos nos dois mundos um vislumbre de esperança
Corremos no vento; Voamos na luz;
Existimos em cada gota de sangue de lobo...