terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lamento

A noite era sua chama, as garras da perdição.
Enroscavam-se os dedos longos e gélidos ao redor da garganta.

Ele estava acostumado a fugir, estava acostumado a guardar segredos,
estava acostumado a se afastar e a se fechar.
Ela fez e refez as perguntas, como eventualmente fazia.
Ele não podia responder...

Sentiu pelo cheiro a ameaça, tão próxima como se lhe tocasse a testa;
Uma agulha fina e prateada na noite.
A lua se erguia no céu.

Ele pediu e implorou "fique aqui, proteja-se";
Ela estava cansada, os segredos já pesavam demais.
O coração apertou-se dentro do peito, até quase não bater mais.

Como ele correu; Perdeu-se na noite.
Seguido mais de perto do que de costume.
Seus próprios demônios o tornaram cego e surdo para aquela noite.

Ela viu a tudo; A fera saía do homem a quem ela amava.
Seus olhos se perderam nos olhos amarelos da besta.
Um longo uivo na neblina gelada...

Ele pediu e implorou, mas ela não ouviu.
Ele chorou e lamentou; A fera estava morta, dentro do homem que morrera.
Sua amada morta nos braços.